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Crítica

O melhor sushi que já comi não estava num restaurante japonês

28 mai 2026 · 5 min de leitura
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O Nori Cascais não parece especial por fora. Uma porta discreta no centro histórico, sem montras chamativas ou menus na janela. Entrei por recomendação, sem expectativas particulares.

O que me surpreendeu foi o que aconteceu antes do almoço. O chef Rui Ferreira — formado em Tóquio, regressado a Portugal em 2014 — chega às seis da manhã à lota de Cascais. Não para escolher entre o que há: para ver o que entrou de noite e decidir o menu com base nisso.

O robalo estava extraordinário naquele dia. Rui cortou-o na nossa presença, com precisão cirúrgica, e serviu-o em niguiri com um toque de manteiga de yuzu e flor de sal. A combinação era tecnicamente heterodoxa, mas o sabor era perfeito: o sal atlântico, a acidez cítrica, a gordura que realçava a textura do peixe.

O melhor sushi nasce da qualidade do ingrediente, não da técnica que o disfarça. Rui sabe isso — e os pescadores de Cascais também, ao ponto de o reservar antecipadamente peças específicas.

É por isto que o Nori Cascais tem lista de espera ao fim de semana. Não é só o sushiman. É o ecossistema inteiro: o mar, o pescador, o chef. Quando estes três elementos se alinham, o niguiri que resulta é algo diferente de qualquer outra coisa que existe em Portugal.

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