O izakaya não é um conceito fácil de traduzir. «Taberna japonesa» é a versão preguiçosa — funciona como aproximação, mas perde o essencial, que é o espírito. O izakaya existe para socializar. A comida é boa, mas é pretexto.
Em Tóquio, o izakaya de bairro é o equivalente ao café português das nove da manhã: um lugar onde a relação com o espaço é de familiaridade. Sabes o que vais beber, o dono conhece-te pelo nome, a carta muda conforme a estação.
Portugal é terreno fértil para este modelo por razões óbvias: a cultura da tasca, o gosto pela convivialidade, a abertura a pequenos pratos partilhados. O Tanuki em Lisboa e o Meshi Porto no Porto perceberam isso cedo — e construíram espaços que são simultaneamente japoneses e profundamente lisboetas ou portuenses.
O que define o izakaya bem feito em Portugal? Três coisas: o cuidado com o produto (nem que seja um tomate ou um ovo), a carta de sake e vinho que não parece um afterthought, e o ruído. O izakaya bom é barulhento. Se há silêncio, algo está errado.
A Izakaya Braga chegou mais recentemente e com uma aposta curiosa: integrar o vinho verde na carta com o mesmo estatuto do sake. É uma fusão que funciona — e que diz algo sobre o futuro deste tipo de restaurante em Portugal.