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Crítica

O kaiseki de Takahiro Sato: Portugal em doze tempos

18 mar 2026 · 9 min de leitura
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O kaiseki é a forma mais rigorosa da cozinha japonesa. Não é apenas um menu de degustação — é uma disciplina estética que regula temperatura, cor, textura, recipiente e sequência. Cada um dos doze tempos tem uma razão de ser. Nada é acidente.

O Kaiseki Lisboa abriu em 2020 e tem estado a ganhar reputação silenciosamente, longe das redes sociais e dos guias generalistas. Takahiro Sato, o chef, formou-se em Quioto e passou anos em cozinhas europeias de alta exigência antes de se fixar em Lisboa.

O menu de março começa com um hassun — o segundo prato do kaiseki, que dá o tema sazonal. Hoje: ameijoas da Ria Formosa em dashi de kombu, espargos verdes de Santarém temperados com miso branco, e uma folha de shiso que o chef cultiva numa estufa em Palmela.

O que torna este kaiseki único é a insistência no produto português. «Não posso trazer o mar do Japão para Lisboa», diz Takahiro. «Mas posso trazer a técnica e trabalhar com o que o Atlântico e as hortas portuguesas me dão. É mais honesto assim.»

O momento mais impressionante: um niguiri de lula do Algarve, cortada em papel fino e servida sobre arroz de vinagre de yuzu, com uma pinta de wasabi de rábano picante nacional. Tecnicamente impecável. Saborosamente inesquecível.

O Kaiseki Lisboa custa €180 por pessoa sem vinhos. É muito dinheiro. Mas é uma experiência de refeição que Portugal raramente oferece — e que, por isso, merece o investimento de quem se interessa a sério pela cozinha japonesa.

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